A agricultura familiar do Espírito Santo começa a ganhar espaço em um mercado em expansão: o de créditos de carbono. A proposta é transformar práticas sustentáveis já adotadas no campo em uma nova fonte de renda para produtores rurais.
A iniciativa faz parte de uma nova etapa do projeto Arranjos Produtivos, desenvolvido pela Assembleia Legislativa do Estado, que passa a investir na capacitação de agricultores para criação de projetos ambientais aptos a gerar créditos negociáveis.
O programa une assistência técnica, preservação ambiental e diversificação da produção rural. Além disso, prevê a ampliação das ações para até 35 municípios capixabas até 2026, aumentando o número de produtores beneficiados.
Segundo a coordenação do projeto, a proposta surgiu como evolução de ações anteriores voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar, agora incorporando demandas ligadas à sustentabilidade e à economia verde.
A inclusão no mercado de carbono ocorre em um cenário de valorização global de práticas que contribuem para reduzir a emissão de gases de efeito estufa. Atividades como reflorestamento, recuperação de áreas degradadas e manejo sustentável do solo podem ser convertidas em créditos comercializáveis.
Na prática, esses créditos são gerados quando há comprovação de redução ou captura de dióxido de carbono. Empresas interessadas em compensar impactos ambientais compram esses ativos, criando uma alternativa econômica para produtores rurais.
Para preparar os agricultores, o projeto tem promovido encontros técnicos, seminários e capacitações em diversas regiões do estado. Entre os municípios já atendidos estão localidades do sul, norte e região serrana capixaba.
Especialistas envolvidos destacam que, apesar do potencial, o mercado ainda apresenta desafios. Muitos produtores têm dúvidas sobre certificação, exigências ambientais e registro das práticas adotadas. Por isso, a assistência técnica contínua é considerada essencial para garantir segurança e acesso ao setor.
Atualmente, o Arranjos Produtivos já alcança milhares de pessoas e propriedades rurais, com ações que incluem acompanhamento técnico e distribuição de mudas. A expectativa é que, com a expansão, o Espírito Santo se consolide como referência nacional na geração de créditos de carbono ligados à agricultura familiar.
Além de fomentar a renda, a iniciativa busca inserir pequenos produtores na agenda ambiental contemporânea, alinhando produção agrícola e sustentabilidade. A orientação também inclui alertas sobre riscos, como a intermediação indevida na comercialização de créditos.
Produtores interessados podem participar das ações por meio de órgãos municipais, associações rurais ou equipes técnicas que atuam nas regiões atendidas. Para ingressar no mercado, é necessário cumprir critérios ambientais e manter a regularização da propriedade.
