O presidente da Câmara Municipal de Ibiraçu, Breno Lúcio, manifestou oposição ao modelo previsto para o contorno da BR-101 no município. Para o vereador, a retirada do tráfego pesado do centro urbano pode provocar queda no movimento do comércio local e afetar diretamente a geração de empregos.
Em entrevista, o parlamentar avaliou que a mudança no fluxo de veículos tende a reduzir de forma significativa a circulação de clientes em estabelecimentos como lanchonetes, restaurantes e outros serviços que dependem da rodovia. Segundo ele, a economia da cidade já tem poucas fontes de emprego e pode sentir fortemente os efeitos da alteração viária.
A obra será executada pela concessionária Ecovias Capixaba e prevê desapropriações de cerca de 20 áreas. Entre os imóveis atingidos está um casarão com mais de um século de história, onde vivem 13 integrantes de quatro gerações da família Perut, além do artista plástico capixaba José Paulo Dileta.
Prazo ampliado para desocupação
Os moradores do imóvel histórico tinham até o fim de março para deixar o local, mas uma decisão judicial recente concedeu mais 60 dias para a saída. A informação foi confirmada pelo empresário Daniel Perut, neto dos proprietários, que representa os avós na disputa judicial.
A família tenta desde o ano passado evitar a demolição por meio do reconhecimento do valor histórico da construção em âmbito municipal e federal. Apesar dos esforços, o pedido de tombamento não avançou até o momento.
Daniel afirmou que a prorrogação trouxe alívio temporário, mas reconhece que as chances de manter o imóvel são pequenas. Segundo ele, a perda representaria o desaparecimento de parte importante da memória da cidade.
A concessionária responsável sustenta que o contorno é necessário para melhorar a fluidez e a segurança do tráfego na região, enquanto lideranças locais seguem debatendo os impactos sociais e econômicos do projeto.
