Os primeiros desdobramentos do novo acordo de reparação da Bacia do Rio Doce começam a ganhar forma e já geram expectativa no Espírito Santo. Um pacote de R$ 620 milhões será direcionado à recuperação econômica de áreas rurais atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, ocorrido em 2015.
As iniciativas são coordenadas pelo Governo Federal e incluem projetos voltados a agricultores familiares, pescadores e comunidades impactadas pelos rejeitos de mineração. Parte das ações foi apresentada em agendas realizadas no estado, com destaque para Colatina, um dos municípios capixabas afetados pela lama que percorreu o leito do rio.
De acordo com a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, os recursos integram o Programa de Retomada Econômica (PRE). O foco está na recuperação da capacidade produtiva, geração de renda e recomposição ambiental das áreas atingidas.
Entre os projetos previstos está o de análise e recuperação de solos, que contará com mais de R$ 125 milhões. A proposta inclui reabilitação de áreas agrícolas degradadas e deve alcançar milhares de produtores rurais no Espírito Santo e em municípios de Minas Gerais próximos ao curso do Rio Doce. A expectativa é restabelecer a produtividade das propriedades e mitigar impactos da contaminação provocada pelos rejeitos.
Regularização fundiária e crédito rural
A falta de documentação das terras, apontada como entrave histórico por moradores atingidos, também será enfrentada. O projeto de regularização fundiária receberá mais de R$ 316 milhões para emissão de títulos de propriedade, atualização cadastral e facilitação de acesso a linhas de financiamento rural, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). A medida é vista como essencial para permitir que produtores tenham acesso a políticas públicas e indenizações.
Sustentabilidade e prevenção
O plano contempla ainda ações ambientais, como implantação de florestas produtivas e construção de barraginhas — estruturas de contenção que reduzem erosão e melhoram a infiltração de água no solo. As medidas buscam fortalecer a sustentabilidade das atividades rurais e evitar novos danos ambientais.
Apesar do avanço, moradores e movimentos sociais cobram mais agilidade na execução e ampliação do alcance das políticas. Entre as demandas estão a retomada de programas de transferência de renda, descontaminação urgente de áreas afetadas e inclusão de famílias que vivem fora da faixa de cinco quilômetros do rio.
O programa de recuperação da bacia tem duração prevista de até 20 anos e envolve dezenas de municípios capixabas e mineiros. Para o Governo Federal, a nova etapa do acordo representa uma das maiores iniciativas já realizadas para reconstrução produtiva e ambiental na região.
