ACONTECENDO NO ESPÍRITO SANTO

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

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O cerco de Casagrande e o impulso estratégico de Ricardo Ferraço

O avanço do grupo governista no Estado contrasta com articulações conspiratórias, o que levanta dúvidas sobre a viabilidade do projeto oposicionista.

O cenário político capixaba começa a se desenhar com mais nitidez à medida que as articulações avançam rumo às próximas eleições estaduais. Enquanto o grupo liderado pelo governador Renato Casagrande amplia seu campo de apoio, a pré-candidatura de Ricardo Ferraço ganha fôlego e contornos cada vez mais sólidos, sobretudo diante das fragilidades e apostas arriscadas do campo adversário.

Nos bastidores, aliados avaliam que o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, ainda opera sob uma lógica de especulação política que não corresponde à realidade do tabuleiro eleitoral. Mesmo com a aproximação pública, ainda que discreta, com o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, e com as bênçãos políticas do ex-governador Paulo Hartung, a leitura predominante é de que as chances desse projeto decolar permanecem limitadas.

A asfixia do governo

Quando se observa o peso dos números, o quadro se torna ainda mais desafiador para a oposição. Dos cinco maiores municípios da Região Metropolitana da Grande Vitória, três, Cariacica, Serra e Viana, já demonstram alinhamento político com Casagrande e Ricardo Ferraço. No interior do Estado, a diferença é ainda mais expressiva. Regiões estratégicas, como o Norte e o Sul capixaba, apresentam ampla predominância de prefeitos, lideranças locais e bases eleitorais favoráveis ao atual grupo no poder, configurando um cenário de clara desproporcionalidade.

Outro fator relevante diz respeito às exigências legais do processo eleitoral. Para disputar o pleito, tanto Arnaldinho Borgo quanto Lorenzo Pazolini precisarão renunciar aos cargos de prefeito. Ricardo Ferraço, por sua vez, deverá assumir o comando do Palácio Anchieta, movimento que tende a fortalecer sua visibilidade institucional, ampliar sua capacidade de articulação e consolidar, ainda mais, o projeto governista.

Cadê a foto de Pazolini com Hartung?

Enquanto isso, a aproximação entre Pazolini e Paulo Hartung levanta questionamentos e provoca desconforto em setores estratégicos, especialmente entre profissionais da segurança pública. A memória da greve da Polícia Militar de 2017, episódio que marcou profundamente o Espírito Santo durante a gestão Hartung, ainda está viva no imaginário da população e da categoria. Nos bastidores, cresce a percepção de que essa aliança, embora sinalizada politicamente, tem gerado mais ruídos do que ganhos.

Curiosamente, apesar dos acenos e discursos, chama atenção a ausência de registros públicos que materializem essa aproximação. Não há imagens, fotografias ou atos conjuntos que confirmem, de forma concreta, o alinhamento entre Pazolini e Hartung. O que se vê, até o momento, é um movimento descrito por interlocutores como “fantasmagórico”: muito falado, pouco visível e cercado de interrogações.

Diante desse cenário, o grupo de Casagrande avança com organização, capilaridade e vantagem territorial, enquanto a oposição ainda busca transformar discursos e alianças informais em um projeto eleitoral competitivo e convincente aos olhos do eleitor capixaba.

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