Brasil e China formalizaram duas declarações conjuntas recentemente, em meio a encontros bilaterais que ocorreram durante a missão brasileira em Pequim. As declarações abordam questões cruciais para o cenário global, como a guerra entre Rússia e Ucrânia, e o compromisso com o multilateralismo e a sustentabilidade.
Diálogo sobre a guerra na Ucrânia
A primeira declaração conjunta enfatiza a importância do diálogo entre Rússia e Ucrânia, propondo negociações para a paz. Os governos do Brasil e da China acolhem as iniciativas dos presidentes Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky, reconhecendo os esforços para um entendimento pacífico. A expectativa é que um diálogo direto entre as partes comece em breve, com foco em uma solução política duradoura para a crise.
Multilateralismo e sustentabilidade global
A segunda declaração abrange uma ampla gama de temas, destacando a paz e a estabilidade no Oriente Médio. Brasil e China manifestam apoio ao Plano de Recuperação de Gaza e pedem à comunidade internacional que implemente um acordo de cessar-fogo, buscando a resolução do conflito Israel-Palestina. A declaração reafirma o apoio à solução de dois Estados e condena o uso de terrorismo e violência.
Esses países se comprometem a trabalhar juntos para defender o multilateralismo e a justiça internacional, rejeitando práticas como unilateralismo e protecionismo. Promovem a necessidade de um sistema internacional mais equitativo.
Reforma da ONU e relação Brasil-China
A necessidade de reforma do Conselho de Segurança da ONU também é abordada, com a China reconhecendo o papel do Brasil em assuntos globais e seu desejo de maior representação na organização. O Brasil, por sua vez, afirmou o princípio de uma só China, expressando apoio à reunificação pacífica.
Críticas ao protecionismo e foco no desenvolvimento humano
O documento rejeita guerras comerciais, argumentando que o protecionismo não é uma solução para os desafios globais. Enfatiza a importância do desenvolvimento humano, com foco na redução da pobreza, educação, saúde e sustentabilidade.
Além disso, Brasil e China destacam parcerias nas áreas de infraestrutura, inteligência artificial, meio ambiente e energias renováveis, entre outras, visando promover inovações que beneficiem o desenvolvimento social.
Governança no ciberespaço e cooperação científica
Os dois países defendem uma governança global no ciberespaço e o combate à desinformação, promovendo um ambiente digital seguro e acessível. Também incentivam a colaboração entre instituições de pesquisa e empresas para impulsionar a inovação tecnológica na agricultura, priorizando biotecnologia e desenvolvimento sustentável.