Uma investigação conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público do Espírito Santo aponta o envolvimento de policiais civis em um esquema de desvio e revenda de drogas apreendidas no Espírito Santo.
De acordo com documentos, áudios e depoimentos obtidos pela reportagem do programa Fantástico, agentes do Departamento Estadual de Narcóticos (Denarc) teriam atuado em parceria com traficantes, permitindo que parte dos entorpecentes apreendidos voltasse ao mercado ilegal.
As investigações indicam que os policiais não apenas desviavam drogas, mas também negociavam diretamente com criminosos. Em um dos depoimentos, um traficante afirma ter adquirido grande quantidade de entorpecentes de um agente, evidenciando a dimensão do esquema.
Entre os investigados está o policial civil Eduardo Tadeu Ribeiro Batista da Cunha, apontado como um dos líderes do grupo. Ele foi preso, enquanto outros agentes foram afastados das funções por decisão judicial.
Segundo as apurações, o esquema funcionava a partir de informações repassadas por traficantes, que indicavam concorrentes. A partir disso, os policiais realizavam abordagens, apreendiam as drogas e desviavam parte do material, que era posteriormente revendida, com divisão de lucros entre os envolvidos.
Há ainda indícios de extorsão, com relatos de criminosos que afirmam ter sido coagidos a pagar quantias em dinheiro ou a colaborar com o grupo para evitar prisão. Em alguns casos, a quantidade de droga apreendida oficialmente seria menor do que a efetivamente recolhida durante as operações.
As investigações também apontam possíveis conexões com facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), além da participação de outros policiais civis e militares.
As suspeitas sobre o esquema vêm sendo apuradas há anos e ganharam força após novas provas reunidas pelas autoridades. A operação resultou em prisões, afastamentos e no aprofundamento das investigações sobre a atuação de agentes públicos no caso.
Em nota, a Polícia Civil informou que acompanha as apurações por meio da Corregedoria e que eventuais irregularidades serão tratadas com rigor. Já a Polícia Militar afirmou não compactuar com condutas ilegais de seus integrantes.
O caso é considerado grave por envolver profissionais responsáveis pelo combate ao tráfico de drogas, o que, segundo investigadores, compromete a confiança da população nas instituições de segurança pública.
