Espécie estrangeira se espalha em áreas protegidas e já exige operações no fundo do mar para evitar danos à biodiversidade
O avanço do chamado coral-sol no litoral de Guarapari acendeu um sinal de alerta entre ambientalistas e autoridades. A espécie invasora, que não é nativa do Brasil, tem se espalhado rapidamente e já atinge áreas sensíveis como a Área de Proteção Ambiental de Setiba e as ilhas Rasas e Escalvada, colocando em risco o equilíbrio dos ecossistemas marinhos.
Para conter o problema, o Instituto Estadual de Meio Ambiente iniciou uma força-tarefa com 14 mergulhadores especializados, responsáveis pela retirada das colônias diretamente do fundo do mar.
A operação não é simples. O coral-sol, originário do Oceano Indo-Pacífico, se fixa com facilidade em estruturas e se reproduz rapidamente, competindo com espécies nativas por espaço e alimento. A suspeita é de que tenha chegado ao Brasil preso a cascos de navios, especialmente embarcações de grande porte.
O monitoramento da espécie ocorre desde 2015, mas o avanço recente para áreas de preservação tornou a situação mais urgente. A partir de 2023, a proliferação ganhou força, possivelmente impulsionada pelo aumento da temperatura do mar.
Com autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, as equipes passaram por treinamento específico para garantir que a remoção seja feita com segurança. Isso porque, quando estressado, o coral pode liberar ainda mais larvas, agravando o problema.
Por isso, cada colônia retirada é cuidadosamente isolada em sacos plásticos ainda no mar, evitando que o material se espalhe. Depois, o conteúdo é levado para triagem em terra, onde passa por um processo de neutralização antes do descarte.
As ações começaram recentemente e devem seguir até junho, com mais de 20 operações previstas. Em apenas três expedições iniciais, centenas de colônias já foram retiradas.
Apesar do esforço, especialistas alertam: o controle da espécie exige vigilância constante. Sem intervenção, o coral-sol pode transformar áreas ricas em biodiversidade em ambientes dominados por uma única espécie — um desequilíbrio que pode trazer impactos duradouros para a vida marinha no litoral capixaba.
