Uma mulher de 27 anos foi presa em flagrante suspeita de omissão após permitir que a filha, de 11 anos, fosse agredida pelo padrasto em Cariacica. A criança foi obrigada a ajoelhar sobre caroços de feijão e sofreu agressões com cinto e fios de energia como forma de “punição” por supostos furtos de brincos e jujubas.
O caso veio à tona após profissionais da escola identificarem hematomas no corpo da aluna e acionarem o Conselho Tutelar. Aos conselheiros, a menina relatou que ficou cerca de 30 minutos ajoelhada sobre os grãos enquanto era agredida. Segundo a criança, não foi a primeira vez que sofreu violência.
A mãe foi conduzida à delegacia e autuada por maus-tratos, sendo encaminhada ao Centro Prisional Feminino de Cariacica. O padrasto não foi localizado e, segundo a polícia, fugiu após a denúncia.
O titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, delegado Marcelo Cavalcanti, afirmou que o padrasto pode ter abusado do chamado “poder de correção”, o que pode configurar crime de maus-tratos e até tortura. Ele destacou que a violência contra crianças é crime previsto na Lei Henry Borel e no Código Penal.
A psicóloga Kamila Vilela de Souza alertou que castigos físicos não têm caráter educativo e podem causar danos emocionais duradouros, defendendo que a orientação e o diálogo são caminhos mais eficazes na formação infantil.
O caso segue sob investigação. Denúncias de violência contra crianças podem ser feitas pelos canais Disque 100 e 181.
