Preço do petróleo supera US$ 115 após ataques no Oriente Médio; Brasil pode sentir impactos

Os preços internacionais do petróleo dispararam nesta quinta-feira (19) em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. O barril do tipo Brent crude oil, referência global, superou a marca de US$ 115 e atingiu o maior nível em mais de uma semana.

A alta ocorreu após o Irã atingir instalações de produção de combustíveis em diferentes países da região, em resposta a um ataque de Israel ao campo de gás South Pars, o maior do mundo.

Por volta das 7h52 (horário de Brasília), os contratos futuros do Brent avançavam 6,58%, cotados a US$ 114,45 por barril. Mais cedo, chegaram ao pico de US$ 115,10.

Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subia 1,05%, a US$ 96,46 por barril, após ter ultrapassado os US$ 100 durante a madrugada.

Gás natural também dispara

A tensão se espalhou para o mercado de gás natural. Na Europa, os contratos futuros chegaram a subir 35% nas primeiras horas do dia e mantinham alta de cerca de 19% no fim da manhã.

Brasil entra no radar

Mesmo distante do conflito, o Brasil pode sentir efeitos relevantes da crise.

O petróleo é precificado em dólar no mercado internacional. Quando o Brent sobe, há pressão direta sobre os custos de combustíveis no país, especialmente gasolina e diesel. Isso ocorre porque a Petrobras segue a política de preços alinhada às cotações globais e à variação cambial.

Entre os possíveis impactos para os brasileiros estão:

  • Combustíveis mais caros, caso a estatal repasse a alta internacional

  • 🚚 Frete e transporte mais caros, pressionando alimentos e produtos

  • 📈 Risco inflacionário, com efeito em cadeia na economia

  • 💰 Pressão sobre o dólar, que tende a subir em cenários de tensão global

Por outro lado, analistas destacam que o Brasil também é exportador de petróleo. Com a valorização do barril, aumentam as receitas de exportação e a arrecadação de royalties para estados e municípios produtores.

Ataques e reação internacional

Em resposta ao ataque israelense, o Irã lançou ofensivas contra estruturas de energia no Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. No Kuwait, duas refinarias estatais foram atingidas por drones.

A estatal QatarEnergy informou que mísseis iranianos provocaram “danos extensos” na cidade industrial de Ras Laffan, responsável por processar cerca de um quinto do gás natural liquefeito consumido no mundo.

Na Arábia Saudita, um porto petrolífero no Mar Vermelho também foi atingido.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país não teve envolvimento no ataque israelense e pediu que novos bombardeios não ocorram.

Bolsas em queda

O agravamento do conflito derrubou os mercados financeiros.

Estados Unidos

  • Dow Jones Industrial Average: −0,38%

  • S&P 500: −0,45%

  • Nasdaq-100: −0,61%

Europa

  • FTSE 100: −2,40%

  • DAX: −2,41%

  • CAC 40: −1,77%

Ásia

  • Shanghai Composite: −1,4%

  • CSI 300: −1,6%

  • Hang Seng Index: −2%

  • Nikkei 225: −3,4%

Risco ao fornecimento global

Especialistas alertam para possível interrupção prolongada na oferta de energia.

O governo dos EUA avalia ampliar sua presença militar na região, incluindo ações para proteger rotas marítimas estratégicas como o Estreito de Ormuz e áreas de exportação iraniana como a Ilha de Kharg.

Se o conflito se intensificar, os efeitos podem se espalhar por toda a economia global — e chegar rapidamente ao bolso do consumidor brasileiro.

spot_img

Ultimos acontecimentos

Leia Também