Estudo aponta ligação entre poluição e tumores em tartarugas na Baía de Vitória

Mais de 50% dos animais analisados apresentam doença associada à degradação ambiental

Uma pesquisa realizada na Baía de Vitória acendeu um alerta sobre os impactos da poluição na vida marinha. De acordo com o Instituto Marcos Daniel, mais da metade das tartarugas monitoradas apresenta fibropapilomatose, uma doença caracterizada pelo surgimento de tumores.

O estudo analisou 24 animais ao longo de 2025 e identificou que cerca de 50% deles tinham sinais da enfermidade. A condição pode provocar desde pequenos nódulos até grandes massas, prejudicando funções essenciais como nadar, se alimentar e até respirar.

Segundo a bióloga Camila Miguel, coordenadora do projeto Chelonia Mydas, existe uma relação direta entre a qualidade da água e a saúde dos animais. As tartarugas funcionam como indicadores ambientais, ajudando a revelar o nível de degradação do ecossistema.

A espécie mais afetada é a tartaruga-verde, que costuma viver em águas rasas — justamente as mais expostas à poluição. Na região da Curva da Jurema, os animais são capturados para exames, passam por avaliação clínica e depois são devolvidos ao mar.

Especialistas destacam que a situação reforça a necessidade de investimentos em saneamento e preservação ambiental. Em 2018, foi criada uma área de proteção para as tartarugas na região, com o objetivo de preservar o habitat e reduzir os impactos sobre a fauna marinha.

Órgãos públicos afirmam que vêm adotando medidas para melhorar a qualidade da água, como fiscalização de despejos irregulares e monitoramento constante. Ainda assim, pesquisadores alertam que a redução dos casos da doença depende diretamente da melhoria das condições ambientais.

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