Araceli tinha apenas oito anos quando desapareceu, após sair da escola, e jamais retornou para casa. Dias depois, seu corpo foi encontrado em circunstâncias brutais, com indícios de violência sexual, agressões físicas e mutilações. O caso provocou comoção nacional, mobilizou autoridades e se transformou em símbolo da luta contra crimes sexuais praticados contra crianças no Brasil.
O desaparecimento
Em maio de 1973, Araceli deixou a escola, no Centro de Vitória, como fazia rotineiramente. Testemunhas relataram tê-la visto entrando em um carro, supostamente acompanhada por homens conhecidos da família. A partir daquele momento, a menina não foi mais vista com vida.
Familiares e vizinhos iniciaram buscas por conta própria, enquanto a polícia passou a investigar o sumiço. O clima na capital era de apreensão e revolta, diante do desaparecimento de uma criança em plena luz do dia.
O crime
Seis dias depois, o corpo de Araceli foi localizado em uma área afastada. A perícia apontou que a criança havia sido submetida a tortura, abuso sexual e, posteriormente, assassinada. As imagens e os detalhes do laudo chocaram o país.

Rapidamente, o caso ganhou grande repercussão nacional, sendo noticiado por jornais, rádios e emissoras de televisão. O assassinato passou a ser tratado como um dos mais bárbaros já registrados no Espírito Santo.
Investigação e acusações
Durante as investigações, Dante Brito Michelini, seu pai, Dante de Barros Michelini, e outro suspeito foram denunciados pelo Ministério Público como envolvidos no sequestro, estupro e morte da menina.
Os acusados chegaram a ser condenados em primeira instância. No entanto, após recursos e reavaliações do processo, todos acabaram absolvidos definitivamente em 1991, sob o argumento de falta de provas suficientes e falhas na condução da investigação.
Apesar das absolvições, o caso nunca deixou de gerar controvérsia. Para muitos, a sensação de impunidade permaneceu, e o crime passou a ser lembrado como um símbolo das fragilidades do sistema de Justiça da época.

Legado e memória
A morte de Araceli impulsionou debates nacionais sobre violência sexual contra crianças e adolescentes. Anos depois, o dia 18 de maio — data associada ao caso — passou a ser reconhecido como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
Mesmo após mais de cinco décadas, o nome de Araceli segue presente na memória coletiva como representação de uma infância interrompida de forma cruel e de um crime que jamais foi plenamente esclarecido.
Um passado que ressurge
Com a identificação do corpo de Dante Brito Michelini em Guarapari, o caso Araceli volta ao centro das atenções, reacendendo discussões sobre justiça, impunidade e a necessidade permanente de proteção às crianças.
A Polícia Civil investiga agora as circunstâncias da morte de Michelini, enquanto a história de Araceli permanece como um marco doloroso na trajetória do Espírito Santo — e um alerta que atravessa gerações.


