O Sambão do Povo, no último dia 6, serviu de vitrine para um desfile que não estava no cronograma das escolas de samba. Sob as luzes da passarela, o que se viu foi a encenação de um enredo político coreografado: o surgimento do “casal” político Arnaldinho Borgo e Lorenzo Pazolini. O gesto, longe de ser um encontro casual de carnaval, marcou o momento em que a ingratidão foi servida como prato principal, polida pela mão experiente de Paulo Hartung.
A Maçã Polida: O Oportunismo de Hartung
Como um veterano mestre de cerimônias, o ex-governador Paulo Hartung volta a polir a maçã da discórdia. O objetivo é clássico: capturar lideranças jovens e usá-las como peças de um tabuleiro voltado a desestabilizar o grupo de Renato Casagrande e, principalmente, minar a ascensão de Ricardo Ferraço. Hartung opera no vácuo da vaidade alheia, oferecendo o brilho de uma candidatura majoritária a quem ainda mal aprendeu a caminhar sem as mãos do atual governo.
É o oportunismo disfarçado de mentoria, reciclando velhas práticas para novos rostos.
O Beijo de Judas: A Deslealdade de Arnaldinho
Se Pazolini já é um opositor declarado, Arnaldinho Borgo surge como o personagem central da deslealdade. Até ontem, o prefeito de Vila Velha era alimentado pelos investimentos estruturantes do Governo do Estado. Ao desfilar de braços dados com o principal adversário de seu benfeitor, Arnaldinho não apenas rompe uma aliança; ele tenta queimar pontes enquanto ainda está em cima delas.
A pressa em se viabilizar como nome ao governo revela um político “de calças curtas”, que troca o lastro real de entregas pela ilusão de um protagonismo prematuro.
A Ingenuidade de Pazolini
No meio desse arranjo, Lorenzo Pazolini parece acreditar que encontrou um aliado de peso, quando, na verdade, serve de escada para o jogo de cena de Hartung. A ingenuidade reside em crer que uma aliança performática e fotos calculadas no Sambódromo substituem a densidade eleitoral que o grupo governista consolidou em cidades vizinhas como Cariacica, Serra e Viana.
O Saldo da Folia
A política é um jogo de confiança e tempo. Enquanto Arnaldinho e Pazolini buscam o flash imediato, Ricardo Ferraço e Casagrande cercam-se de prefeitos com capilaridade real, como Euclério Sampaio, Weverson Meireles e outras grandes lideranças como Sérgio Vidigal.
A “maçã” de Hartung pode parecer atraente e bem polida, mas a história mostra que ela costuma ser indigesta para quem a morde por vaidade. No fim, o Sambão expôs uma verdade incômoda: a juventude desses prefeitos, em vez de trazer o “novo”, acabou resgatando o que há de mais arcaico na política capixaba.


