Segundo a secretária, o grande volume de água que chega ao território vilavelhense teria como principal causa o escoamento proveniente desses municípios, o que, na avaliação dela, estaria além da capacidade de controle exclusivo da prefeitura local.
A fala foi interpretada por moradores e lideranças comunitárias como uma tentativa de retirar da administração municipal de Vila Velha a responsabilidade direta por ações de prevenção e mitigação dos impactos das chuvas.
A declaração, no entanto, gerou forte repercussão negativa. Especialistas em drenagem urbana e planejamento territorial ressaltam que, embora a dinâmica hídrica da Região Metropolitana seja interligada, cabe a cada município investir em infraestrutura adequada, manutenção de galerias, limpeza de canais, obras de macrodrenagem e planejamento urbano eficiente para reduzir os efeitos das chuvas intensas.
Moradores de áreas historicamente afetadas afirmam que o discurso não resolve o problema imediato. “Todo ano é a mesma coisa: ruas viram rios, casas são invadidas pela água e ninguém assume a responsabilidade. Jogar a culpa para outras cidades não diminui nosso sofrimento”, relatou um comerciante de bairro alagado.
Prefeituras vizinhas ainda não se manifestaram oficialmente sobre a declaração. Enquanto isso, a população cobra soluções concretas, ações integradas entre os municípios da Grande Vitória e, principalmente, uma postura mais proativa da gestão de Vila Velha para enfrentar um problema que se repete a cada período de chuvas fortes.
A expectativa é de que, diante da repercussão, a prefeitura apresente medidas efetivas e um plano claro para amenizar os impactos dos alagamentos, evitando que o debate fique restrito à troca de responsabilidades entre administrações municipais.


