Estudos apontam que áreas verdes reduzem riscos de doenças e evidenciam desigualdade urbana no Brasil

Pesquisa indica que arborização melhora a saúde, enquanto falta de vegetação em regiões periféricas amplia impactos negativos

A presença de áreas verdes nas cidades pode fazer diferença direta na saúde da população. Estudos recentes ligados ao Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil) mostram que viver em regiões com maior arborização está associado à redução significativa de doenças cardiometabólicas.

Uma análise com participantes de Belo Horizonte, publicada na revista Health & Place, revelou que moradores de áreas mais verdes apresentam 36% menos risco de obesidade, 38% menos chance de obesidade abdominal e 25% menos probabilidade de níveis baixos de HDL, conhecido como “bom colesterol”.

Outro estudo, divulgado no Journal of Urban Health, acompanhou cerca de 4,8 mil pessoas em Belo Horizonte e São Paulo ao longo de mais de uma década. Os resultados apontam que quem vive próximo a áreas verdes tem maior tendência a manter a prática de atividades físicas em níveis moderados ou intensos.

Especialistas explicam que a vegetação urbana — principalmente árvores — contribui para reduzir a poluição do ar e o ruído, além de amenizar temperaturas elevadas nas cidades. Esses fatores ajudam a melhorar a qualidade de vida e influenciam diretamente na saúde da população.

No entanto, o avanço urbano sem planejamento e a retirada excessiva de árvores têm gerado preocupação. A poda radical ou eliminação de áreas verdes pode agravar problemas como ilhas de calor, piora da qualidade do ar e aumento de doenças relacionadas ao sedentarismo e ao estresse.

A distribuição desigual da vegetação nas cidades também chama atenção. Em bairros de maior renda, é comum encontrar ruas arborizadas, praças bem cuidadas e maior presença de áreas verdes. Já em regiões periféricas, o cenário costuma ser oposto: menos árvores, mais concreto, acúmulo de sujeira e condições ambientais mais desfavoráveis.

Esse contraste evidencia não apenas uma diferença estética, mas um impacto direto na saúde pública. A falta de áreas verdes nas periferias pode contribuir para o aumento de doenças crônicas e reduzir oportunidades de lazer e bem-estar.

Pesquisadores defendem que políticas públicas voltadas à ampliação e preservação da arborização urbana são fundamentais para reduzir desigualdades e promover qualidade de vida nas cidades brasileiras.

spot_img

Ultimos acontecimentos

Leia Também