Páscoa deve gerar quase R$ 72 milhões em vendas no comércio do ES

Data impulsiona supermercados, chocolaterias e produtos típicos, mantendo crescimento do varejo pelo segundo ano seguido

A Páscoa de 2026 deve movimentar cerca de R$ 71,9 milhões no comércio do Espírito Santo, reforçando a importância econômica da data para o varejo capixaba. A estimativa indica avanço de 3,1% em relação ao ano anterior, quando o período registrou R$ 69,3 milhões em vendas, mantendo a sequência de crescimento observada nos últimos anos.

Mesmo com consumidores mais cautelosos, o apelo cultural e afetivo da celebração continua estimulando compras em diferentes segmentos. A leve melhora no orçamento das famílias, com redução do endividamento e menor inadimplência, também contribui para a retomada gradual do consumo.

O levantamento é do Connect Fecomércio-ES, com base em informações da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

De acordo com o coordenador do Observatório do Comércio, André Spalenza, o cenário combina recuperação econômica com maior atenção aos preços. Segundo ele, o consumidor mantém o interesse pela data, mas adota postura mais criteriosa antes de fechar as compras.

Setores mais beneficiados

Os estabelecimentos mais ligados à celebração concentram a maior parte das vendas. Supermercados, atacarejos e lojas especializadas em chocolates registram aumento na procura por itens tradicionais, como ovos de chocolate, peixes e ingredientes típicos da culinária capixaba.

Inflação ainda pesa no bolso

O comportamento dos preços continua influenciando as decisões de consumo. No Espírito Santo, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,3% até fevereiro de 2026, acima da média nacional. Alguns produtos típicos da Páscoa ficaram mais caros, enquanto outros ajudaram a equilibrar os gastos.

Entre as altas, chocolates em barra e bombons subiram mais de 16%, chocolate em pó avançou acima de 11% e o bacalhau teve aumento superior a 13%. Por outro lado, itens importantes para receitas tradicionais apresentaram queda, como o azeite de oliva e os ovos de galinha, reduzindo parte do impacto no orçamento das famílias.

Além disso, houve redução nos custos da alimentação feita em casa, favorecendo celebrações domésticas. Em contrapartida, refeições fora do lar e atividades de lazer ficaram mais caras, o que pode limitar gastos extras durante o feriado.

Consumo mais seletivo

O estudo aponta que o consumidor segue ativo, porém mais estratégico. Em vez de ampliar despesas, muitas famílias ajustam quantidades, priorizam promoções e buscam melhor relação entre preço e qualidade. Ainda assim, a Páscoa preserva relevância e dificilmente passa sem algum tipo de comemoração.

Tendência: menos produto, mais experiência

O aumento do preço do cacau no mercado internacional também impactou o valor dos chocolates no Brasil, incentivando mudanças no perfil de compra. Com itens tradicionais mais caros, parte dos consumidores tem buscado alternativas que valorizam a experiência e o significado da data.

Cresce o interesse por opções como ovos artesanais, cestas personalizadas, kits temáticos e atividades em família, como oficinas de confeitaria. A proposta deixa de focar apenas no produto e passa a priorizar lembranças afetivas e momentos compartilhados.

Para o comércio, o movimento abre espaço para inovação. Pequenos negócios ganham competitividade ao oferecer itens exclusivos e personalizados, enquanto grandes empresas investem em variedade de portfólio e estratégias que ampliem o valor percebido pelos clientes.

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