Caso de Dayse Barbosa evidencia que o ciclo da violência pode atingir qualquer mulher e começa antes da agressão física
O assassinato da comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa Mattos, de 37 anos, provocou forte repercussão no Espírito Santo e reacendeu o alerta sobre os riscos de relacionamentos abusivos. A oficial foi morta dentro de casa, no bairro Santo Antônio, após ser atingida por disparos efetuados pelo namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, que tirou a própria vida em seguida.
As investigações indicam que o crime teria sido motivado pela não aceitação do término do relacionamento. Conforme apuração da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher, há relatos de que o suspeito apresentava comportamento possessivo e controlador — características frequentemente associadas a casos de feminicídio.
Para a delegada responsável pelo caso, a violência contra a mulher costuma se manifestar de forma gradual. O primeiro sinal, segundo ela, pode surgir em atitudes que parecem pequenas: críticas constantes, tentativas de controlar roupas, amizades e rotina, além de ciúme excessivo. Esse padrão pode evoluir para ameaças e agressões mais graves.
Dados do Observatório de Segurança Pública, ligado à Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Espírito Santo, mostram que o Espírito Santo registrou 35 feminicídios em 2025. Em 2026, já são cinco casos confirmados, sendo o de Dayse o primeiro na capital após um longo período sem registros desse tipo de crime.
A secretária estadual das Mulheres, Jacqueline Moraes, afirmou que o episódio demonstra que nenhuma mulher está imune à violência de gênero, independentemente da posição que ocupe. Segundo ela, a sociedade ainda precisa avançar na identificação e no enfrentamento das condutas abusivas antes que elas cheguem a situações extremas.
Especialistas reforçam que reconhecer os sinais de alerta é fundamental. Entre eles estão: controle disfarçado de proteção, isolamento social, alternância entre demonstrações de afeto e intimidação, dificuldade do parceiro em aceitar o fim da relação e tentativas de domínio emocional.
Autoridades destacam que denunciar comportamentos abusivos e buscar apoio são passos importantes para romper o ciclo da violência. O caso reforça a necessidade de políticas públicas contínuas, acolhimento às vítimas e conscientização coletiva para prevenir novos feminicídios.
