Leilões de energia previstos para 2026 podem movimentar R$ 123 bilhões em investimentos

Os leilões de geração de energia elétrica previstos para 2026 devem movimentar cerca de R$ 123 bilhões em investimentos no Brasil. A estimativa é da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME).

O volume expressivo de recursos é atribuído, principalmente, ao adiamento do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap), voltado à segurança energética, que deveria ter sido realizado em 2024. A postergação gerou demanda reprimida no setor e levou o governo federal a prever até quatro certames desse tipo no próximo ano.

Dois leilões já estão previstos em portaria do MME. O primeiro deve contratar potência de usinas hidrelétricas e termelétricas movidas a carvão mineral e gás natural. O segundo será direcionado a termelétricas abastecidas com óleo diesel, óleo combustível e biodiesel. A meta é reforçar o fornecimento de energia entre 2026 e 2027, com início de suprimento sempre em 1º de agosto de cada ano contratado.

Também estão no planejamento um leilão voltado para sistemas de armazenamento de energia, como baterias de grande porte, e outro para Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs).

Segundo o presidente da EPE, Thiago Prado, o foco das contratações é ampliar a segurança energética do país diante de cenários críticos, como picos de consumo e estiagens prolongadas. A medida busca reduzir a dependência de soluções emergenciais, consideradas mais caras e menos previsíveis.

O adiamento do LRCap em 2024 ocorreu em meio a disputas judiciais e pressões de diferentes segmentos do setor elétrico, elevando a insegurança regulatória. A ausência do leilão comprometeu o planejamento da expansão da oferta de energia e aumentou o risco de desequilíbrios no sistema.

Sem a contratação antecipada de potência firme, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) passou a depender mais de medidas emergenciais para garantir o abastecimento.

Para a presidente da Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas (AbraPCH), Alessandra Torres, há possibilidade de o leilão específico para PCHs ocorrer ainda este ano. Segundo ela, o setor tem capacidade técnica e interesse em investir, além de contribuir para a estabilidade do Sistema Interligado Nacional.

Os leilões são considerados estratégicos para fortalecer a resiliência do sistema elétrico brasileiro e preparar o país para oscilações na oferta e na demanda de energia nos próximos anos.

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