Os Estados Unidos iniciaram uma ofensiva econômica e política para ampliar o acesso às reservas de minerais críticos do Brasil, consideradas estratégicas para a indústria tecnológica, energética e militar. A iniciativa ocorre em meio à disputa global com a China, hoje líder mundial na produção e no processamento desses recursos.
Estima-se que o Brasil concentre entre 20% e 23% das reservas mundiais de terras raras, ficando atrás apenas da China. Esses elementos químicos fazem parte do grupo de minerais críticos, que inclui substâncias como lítio, cobalto e nióbio, essenciais para a fabricação de baterias, turbinas eólicas, chips eletrônicos, satélites, aviões e equipamentos militares.
Estratégia em duas frentes
A estratégia americana envolve duas frentes principais. A primeira é econômica: investidores dos EUA pretendem ampliar aportes em empresas que já possuem autorização para pesquisar ou explorar minerais no território brasileiro. Segundo fontes ouvidas pela imprensa internacional, os investimentos podem chegar a dezenas de bilhões de dólares.
Entre os movimentos recentes está o financiamento de US$ 565 milhões à mineradora Serra Verde, localizada em Nova Roma, por meio da Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional. A empresa responde pela maior parte da produção brasileira de terras raras.
Outro investimento ocorreu em 2025, quando os EUA aportaram US$ 5 milhões na Aclara Resources, que desenvolve pesquisas na mesma região de Goiás.
Pressão política por acordo
Paralelamente aos investimentos, o governo do presidente Donald Trump busca firmar um acordo com o Brasil para garantir fornecimento desses minerais. Uma proposta preliminar de memorando foi enviada ao Ministério das Relações Exteriores, conhecido como Itamaraty.
O tema deve fazer parte das discussões em um possível encontro entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo brasileiro, no entanto, avalia que não há urgência para fechar o acordo e resiste à ideia de limitar exportações para outros mercados, especialmente para a China — principal parceiro comercial do Brasil.
Disputa global por recursos estratégicos
Especialistas apontam que a movimentação faz parte de uma disputa geopolítica mais ampla. A China domina atualmente grande parte da cadeia produtiva das terras raras e possui ampla capacidade de processamento desses materiais.
Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração, os Estados Unidos ainda têm capacidade limitada para refinar esses minerais, sendo responsáveis por cerca de 11% do processamento global.
Além da importância econômica, os minerais críticos também têm forte impacto na segurança nacional. Eles são utilizados na produção de componentes eletrônicos para equipamentos militares, como mísseis, aviões e sistemas de comunicação.
Debate sobre modelo de exploração
Dentro do governo brasileiro e entre especialistas, cresce o debate sobre a necessidade de desenvolver cadeias industriais no próprio país, evitando repetir o modelo de exportação de matéria-prima bruta.
Durante um evento em Brasília, Lula afirmou que o Brasil pretende incentivar parcerias que incluam processamento e industrialização dos minerais no território nacional, agregando valor à produção.
Estudos da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento indicam que a demanda global por minerais críticos pode crescer até 1500% até 2050, impulsionada principalmente pela transição energética e pelo avanço das tecnologias digitais.
Diante desse cenário, o Brasil surge como um dos principais protagonistas na disputa internacional por recursos considerados essenciais para a economia e a segurança do século XXI.
