Uma operação conjunta realizada nesta quinta-feira (12) investiga um esquema interestadual de produção e venda de armas fabricadas com impressoras 3D. A ação, batizada de Operação Shadowgun, resultou na prisão de quatro homens até a última atualização da ocorrência.
A operação é conduzida pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, com apoio do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Ao todo, foram expedidos cinco mandados de prisão em São Paulo e 36 mandados de busca e apreensão em diferentes estados do país.
Os alvos são investigados por organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas de fogo.
Como funcionava o esquema
Segundo as investigações conduzidas pela 32ª Delegacia de Polícia e pelo núcleo cibernético do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o grupo produzia principalmente carregadores de armas fabricados em impressoras 3D e divulgava projetos de chamadas “armas fantasmas”, que não possuem numeração ou rastreamento.
De acordo com a polícia, o líder da organização — preso no interior de São Paulo — é um engenheiro especializado em controle e automação. Ele utilizava pseudônimo e aparecia mascarado em vídeos publicados nas redes sociais, onde mostrava testes balísticos, atualizações de design e instruções de montagem das armas.
As investigações apontam ainda que o suspeito criou um manual técnico com mais de 100 páginas, explicando detalhadamente como fabricar armamentos utilizando equipamentos domésticos de impressão 3D.
Atuação em redes e criptomoedas
O material era compartilhado em redes sociais, fóruns na internet e também na dark web. Para financiar as atividades, o grupo utilizava criptomoedas, dificultando o rastreamento das transações.
Além do líder, outros três integrantes foram identificados com funções específicas na organização, incluindo suporte técnico, divulgação ideológica e produção de material de propaganda.
Vendas em diversos estados
As investigações indicam que o grupo negociou equipamentos e projetos com 79 compradores entre 2021 e 2022, distribuídos em 11 estados brasileiros, entre eles Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais, Pará, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Segundo os investigadores, muitos dos compradores possuem antecedentes criminais, principalmente por tráfico de drogas e outros crimes graves. A polícia apura se o material era utilizado para abastecer organizações criminosas, milícias e o tráfico de armas.
A operação conta ainda com apoio da Agência Brasileira de Inteligência, do Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça e de polícias civis de diversos estados.
