Um laudo técnico que aponta níveis de contaminação até 40 vezes acima do limite permitido em trechos das praias da Guarderia e da Ilha do Frade, em Vitória, será encaminhado ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e ao Tribunal de Contas do Estado (TCES). A decisão foi tomada pela Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa.
O documento é resultado de coletas realizadas no último dia 6 e indica concentrações elevadas de bactérias como enterococos fecais, Escherichia coli e coliformes totais. Em determinados pontos analisados, os índices ultrapassam de forma significativa os parâmetros estabelecidos pela legislação federal.
A discussão ganhou tom político após divergências entre os dados apresentados no laudo independente e as informações divulgadas pela gestão municipal. Deputados afirmaram que é necessário esclarecer a situação e garantir transparência à população.
Além do envio do material aos órgãos de controle, a comissão avalia propor uma legislação estadual para padronizar os critérios de coleta e divulgação de dados sobre balneabilidade no Espírito Santo. Também foi aprovada a realização de uma audiência pública para aprofundar o debate.
Durante a sessão, parlamentares alertaram para possíveis riscos à saúde, como infecções e doenças gastrointestinais, associadas à contaminação por resíduos fecais, geralmente ligados ao despejo de esgoto.
A Prefeitura de Vitória não enviou representantes à reunião. Em nota, a administração municipal questionou a metodologia do laudo e afirmou que a validade dos resultados depende do cumprimento de protocolos técnicos que assegurem a integridade e a rastreabilidade das análises.
