No vídeo, Arnaldinho aparece em um cenário virtual cuidadosamente produzido, transmitindo uma imagem de normalidade e controle da situação. Entretanto, moradores e lideranças comunitárias apontam que a realidade vivida nas ruas da cidade é completamente diferente da apresentada na gravação. Diversos bairros registraram alagamentos, prejuízos materiais e dificuldades de mobilidade, cenário que não condiz com a mensagem passada pelo conteúdo digital.
Críticos afirmam que o uso da inteligência artificial, neste caso, não serviu como ferramenta de comunicação transparente, mas como um artifício para maquiar a realidade e tentar transmitir à população uma sensação de tranquilidade que não existe. “Enquanto moradores lidam com ruas alagadas e perdas, o prefeito aparece em um vídeo artificial, distante da cidade e da situação real”, comentou um morador nas redes sociais.
A ausência física do chefe do Executivo municipal durante um momento de crise também foi alvo de questionamentos. Para muitos, o problema não está apenas na viagem em si, mas na forma como a comunicação foi conduzida. “Não se trata de ser contra tecnologia, mas de responsabilidade. A população espera presença, verdade e ação, não um cenário virtual que ignora o que está acontecendo”, criticou uma liderança comunitária.
Especialistas em comunicação pública destacam que o uso de inteligência artificial por gestores públicos exige ainda mais cuidado, sobretudo em situações de emergência. A tecnologia pode ser uma aliada, mas, quando utilizada para criar narrativas desconectadas da realidade, tende a gerar desconfiança e desgaste político.
Até o momento, a Prefeitura de Vila Velha não se manifestou oficialmente sobre as críticas ao vídeo nem sobre eventuais medidas adicionais para atender as áreas mais afetadas pelas chuvas. Enquanto isso, moradores seguem cobrando ações concretas, presença efetiva do poder público e uma comunicação que reflita, de fato, o que a cidade está enfrentando.


