O Supremo Tribunal Federal (STF) analisa nesta terça-feira (15) o caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master. A discussão gira em torno de informações encontradas no celular de Vorcaro durante as investigações sobre a instituição financeira.
Segundo o material analisado pela Polícia Federal, Vorcaro manteve contato com Moraes em diferentes momentos e teria buscado auxílio diante do avanço das investigações contra o banco. Em uma das mensagens, enviada pouco antes de sua prisão, o empresário chegou a questionar se deveria deixar o país.
O relatório também aponta encontros entre os dois e registra pedidos relacionados às ações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Em determinadas conversas, Vorcaro teria solicitado que autoridades fossem procuradas para tentar adiar medidas que poderiam atingir o Banco Master.
Contrato milionário também entrou no caso
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores envolve um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes.
De acordo com o relatório, o acordo previa pagamentos que chegaram a cerca de R$ 131 milhões. A investigação também encontrou uma segunda proposta, de aproximadamente R$ 50 milhões, que previa parte do pagamento por meio de cotas de aeronaves. O escritório afirmou que essa segunda proposta não chegou a ser assinada.

Respostas de Moraes não aparecem nas mensagens recuperadas
As mensagens localizadas no aparelho de Vorcaro foram enviadas por um sistema que dificultou a recuperação das respostas. Segundo as informações da investigação, o empresário escrevia os textos, fazia capturas de tela e encaminhava as imagens como mensagens de visualização única.
Por esse motivo, o conteúdo recuperado pela perícia apresenta principalmente as mensagens enviadas por Vorcaro, sem permitir acesso integral às respostas atribuídas ao ministro.
O caso aumentou a tensão dentro do STF e colocou em discussão os limites da investigação conduzida pelo ministro André Mendonça. A análise da Corte deverá definir os próximos passos do processo e avaliar a validade dos procedimentos adotados na apuração.
