Neste Dia dos Pais, as redes sociais são tomadas por homenagens, fotografias e lembranças entre pais e filhos. Mas, por trás das celebrações, existe uma realidade que cresce silenciosamente no Brasil: a de crianças criadas sem a presença ativa do pai e de mães que assumem, sozinhas, todas as responsabilidades da criação dos filhos.
Os números mostram que essa não é uma situação isolada.
De acordo com o Censo Demográfico de 2022, divulgado pelo IBGE, 13,4% das famílias brasileiras são formadas por mulheres sem cônjuge vivendo com seus filhos, o equivalente a cerca de 7,8 milhões de mães. Em comparação, apenas 2% das famílias são compostas por homens sem cônjuge vivendo com seus filhos. Isso significa que, entre as famílias monoparentais, aproximadamente 87% são chefiadas por mulheres, enquanto apenas cerca de 13% têm homens como responsáveis.
Outro dado chama a atenção. Segundo informações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), entre 2016 e julho de 2024, mais de 1,2 milhão de crianças foram registradas apenas com o nome da mãe. Somente em 2025, cerca de 174 mil recém-nascidos — aproximadamente 6% dos nascimentos do país — não tiveram o nome do pai na certidão de nascimento.
A ausência paterna vai muito além da falta de um nome no registro civil. Especialistas apontam impactos emocionais, sociais e financeiros tanto para as crianças quanto para as mães, que frequentemente acumulam jornadas de trabalho, cuidados domésticos e educação dos filhos sem qualquer rede de apoio.
Enquanto muitos pais exercem a paternidade de forma presente e responsável — e merecem todas as homenagens nesta data — os números mostram que ainda existe um grande desafio social: garantir que a responsabilidade pela criação dos filhos seja compartilhada.
O próprio IBGE revela outra mudança importante na estrutura familiar brasileira. Pela primeira vez, as famílias formadas por casais com filhos deixaram de representar a maioria no país, refletindo profundas transformações na composição das famílias brasileiras ao longo das últimas décadas.
Neste Dia dos Pais, a data também serve como momento de reflexão. Valorizar os pais presentes é essencial, mas reconhecer o esforço de milhões de mães que desempenham, sozinhas, os papéis de mãe e pai também é uma forma de justiça.
Porque, para muitas crianças brasileiras, a figura paterna está presente apenas na lembrança — ou nunca chegou a existir. E, nesses lares, é a força das mães que sustenta sonhos, garante o alimento, oferece carinho e ensina o caminho da vida todos os dias.
