O Brasil foi apontado pelo jornal britânico Financial Times como o país mais prejudicado pelas novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. A avaliação considera o impacto das medidas anunciadas pelo governo do presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.
Na quinta-feira (23), os EUA anunciaram uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos do Brasil, alegando falhas no combate ao trabalho forçado. A medida se soma a uma sobretaxa de 25% divulgada anteriormente neste mês, o que pode elevar a carga tarifária para até 37,5% em determinados produtos, dependendo da categoria.
Segundo análise baseada em dados da organização Global Trade Alert, a tarifa média efetiva aplicada às exportações brasileiras para os Estados Unidos sobe de 11% para 17,7%, tornando o Brasil o país mais impactado entre os parceiros comerciais atingidos pelas novas medidas.
O governo brasileiro criticou a decisão e classificou a medida como “arbitrária” e “injustificada”. Em nota, afirmou que a administração norte-americana utilizou questões ligadas aos direitos humanos para justificar sanções comerciais contra dezenas de países.
Apesar do aumento das tarifas, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que cerca de 2 mil produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos permanecerão isentos das novas cobranças. Ainda assim, diversos setores da economia deverão sentir os efeitos da dupla tributação.
Enquanto o Brasil enfrenta aumento nas barreiras comerciais, países da União Europeia passaram a contar com tarifas efetivas menores após mudanças nas regras adotadas pelos Estados Unidos. De acordo com o Financial Times, isso amplia a vantagem competitiva dos produtos europeus no mercado norte-americano.
As novas tarifas fazem parte da reformulação da política comercial dos Estados Unidos e atingem cerca de 60 parceiros comerciais, com alíquotas que variam entre 10% e 12,5%, conforme o país e o tipo de produto exportado.
